Nutricionista Itaim Bibi – Dra Tatiane Ramos

Depois de Parar o Mounjaro ou Ozempic, o Peso Volta? O Que Dizem os Estudos

Depois de Parar o Mounjaro ou Ozempic, o Peso Volta? O Que Dizem os Estudos

É uma das dúvidas mais comuns de quem está em tratamento com GLP-1: o peso volta depois que a medicação para? Veja o que mostram os estudos clínicos publicados sobre semaglutida e tirzepatida — com números reais, não suposições.

Tatiane Ramos, nutricionista em São Paulo e online
Tatiane Ramos, nutricionista em São Paulo e online

Conteúdo assinado por Tatiane Ramos, nutricionista clínica, pós-graduada em Obesidade e em Nutrição Clínica pela USP.

CRN-3 73298 · Obesidade (USP) · Nutrição Clínica (USP) · Comportamento Alimentar

Em resumo

Sim, estudos clínicos mostram reganho de peso parcial após a interrupção de semaglutida e tirzepatida — em média, algo entre metade e dois terços do peso perdido. Isso acontece porque a obesidade é uma condição crônica: quando o medicamento para, os mecanismos hormonais de apetite e saciedade que ele regulava deixam de atuar. Não é falha de disciplina de quem trata — é biologia.

Por que o peso pode voltar

Medicamentos como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) atuam em receptores hormonais que regulam apetite e saciedade — por isso a perda de peso durante o tratamento costuma ser mais fácil de sustentar do que com dieta isolada. Quando o medicamento é interrompido, esse efeito hormonal se reduz gradualmente e o apetite tende a voltar aos níveis anteriores ao tratamento. Isso não é um efeito colateral raro ou uma falha do tratamento — é justamente o mecanismo esperado quando se retira um fator que estava regulando a fome.

Esse padrão não é exclusivo dessa classe de medicamentos. Ele acontece com praticamente qualquer intervenção que module apetite: quando o fator regulador é removido, o corpo tende a voltar ao comportamento anterior, especialmente se nenhuma outra mudança foi consolidada durante o período de uso. É o mesmo princípio observado em outras condições crônicas — pressão alta que sobe de novo quando a medicação para, por exemplo. A diferença é que a obesidade, por ainda carregar estigma social, costuma ser tratada como questão de “força de vontade”, quando na verdade envolve mecanismos hormonais e metabólicos complexos.

O que mostra o estudo STEP 1 (semaglutida)

O estudo STEP 1, publicado por Wilding e colaboradores na revista Diabetes, Obesity and Metabolism em 2022, acompanhou participantes que usaram semaglutida 2,4 mg e depois interromperam o tratamento. Após uma perda média de aproximadamente 17,3% do peso corporal durante o uso, os participantes recuperaram, em média, 11,6 pontos percentuais no ano seguinte à interrupção — o equivalente a cerca de dois terços do peso que haviam perdido.

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O que mostra o SURMOUNT-4 (tirzepatida)

Já o estudo SURMOUNT-4, publicado por Aronne e colaboradores na JAMA em 2024, acompanhou pessoas em uso de tirzepatida. Após uma redução média de 20,9% do peso em 36 semanas de tratamento, os participantes foram divididos: quem interrompeu a medicação apresentou aumento médio de 14% do peso nas 52 semanas seguintes, enquanto quem continuou o tratamento perdeu, em média, mais 5,5% de peso no mesmo período. A diferença entre continuar e parar foi expressiva — e vai na mesma direção observada com a semaglutida.

Esse desenho de estudo (randomizar entre continuar e parar, depois comparar os dois grupos) é particularmente informativo porque isola o efeito da própria medicação — os dois grupos passaram pelo mesmo período inicial de tratamento e pela mesma orientação de estilo de vida, mudando apenas se continuaram ou não com a tirzepatida. Isso reforça que a diferença de resultado observada está associada à presença ou ausência do medicamento, não apenas a diferenças de hábitos entre os grupos.

O que esses números não significam

É importante deixar claro: esses são resultados médios de estudos clínicos específicos, com metodologia, população e tempo de acompanhamento próprios. Eles não significam que toda pessoa terá exatamente essa resposta — algumas recuperam menos peso, outras recuperam mais, e fatores individuais (alimentação, atividade física, causas da obesidade, tempo de tratamento) influenciam bastante esse resultado. Também não significam que a medicação “não funciona” ou que fazer o tratamento “não vale a pena” — eles apenas mostram que, como em qualquer condição crônica, a manutenção do resultado depende de continuidade de cuidado, seja medicamentoso, nutricional ou dos dois combinados.

Vale notar também que “reganho” não significa necessariamente voltar ao ponto de partida. Nos dois estudos citados, mesmo após o reganho parcial, os participantes mantiveram parte relevante da perda de peso obtida durante o tratamento — o que reforça que a interrupção da medicação não apaga todo o benefício conquistado, mesmo quando o apetite retorna e parte do peso volta.

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O que ajuda a reduzir o reganho

Embora nenhuma estratégia elimine completamente o risco de reganho, alguns fatores estão associados a melhores resultados de manutenção: manter ingestão adequada de proteína, seguir com treino de força regular (que ajuda a preservar a massa muscular ganha durante o tratamento), e ter acompanhamento nutricional contínuo — inclusive antes da interrupção da medicação, não só depois. A combinação de medicação, nutrição e atividade física costuma trazer resultados mais sustentáveis do que qualquer uma dessas frentes isoladamente.

Outro ponto relevante, ainda pouco discutido, é o comportamento alimentar construído durante o tratamento. Pessoas que usam o período de apetite reduzido para desenvolver uma relação mais organizada com a comida — refeições regulares, atenção aos sinais de fome e saciedade, menos automatismo — tendem a chegar à fase de redução da medicação com uma base mais sólida do que quem manteve os mesmos padrões alimentares de antes do tratamento, só que em menor quantidade.

Sobre este conteúdo

Os números apresentados são de estudos clínicos publicados e servem como referência geral, não como previsão individual. Qualquer decisão sobre iniciar, ajustar ou interromper a medicação é sempre do médico prescritor. Conheça o acompanhamento nutricional para quem usa Mounjaro e Ozempic.

Perguntas frequentes

Todo mundo reganha peso depois de parar o Ozempic ou Mounjaro?

Não necessariamente todo mundo, mas é uma possibilidade real e documentada em estudos — a resposta individual varia bastante.

Reganhar peso significa que o tratamento falhou?

Não. A obesidade é uma condição crônica; quando o tratamento medicamentoso para, é esperado que parte do mecanismo de controle de apetite se reduza também.

Continuar usando a medicação evita o reganho?

Os estudos mostram que quem continua o tratamento tende a manter ou até ampliar a perda de peso, mas essa decisão é sempre médica, considerando outros fatores de saúde.

A alimentação sozinha evita o reganho?

Não é garantia — os próprios estudos mostram reganho parcial mesmo em contextos de acompanhamento. Mas a alimentação adequada e o treino de força ajudam a reduzir a magnitude desse reganho.

Sobre Tatiane Ramos

Sobre Tatiane Ramos

Tatiane Ramos é nutricionista clínica, CRN-3 73298, pós-graduada em Obesidade e em Nutrição Clínica pela USP, com atuação também em comportamento alimentar. Seu acompanhamento considera sintomas, rotina, exames e histórico alimentar, sem dietas radicais ou propostas padronizadas. Realiza consultas presenciais no Itaim Bibi, em São Paulo, e atendimentos online.

A manutenção dos resultados também faz parte do tratamento

Medicação e nutrição não são concorrentes — são estratégias complementares. Um acompanhamento individualizado ajuda a construir hábitos que sustentam o resultado, com ou sem a medicação.

Conheça o acompanhamento nutricional Agendar uma consulta

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica ou nutricional individual. Os dados citados são de estudos clínicos publicados (Wilding et al., Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022, PMID 35441470; Aronne et al., JAMA, 2024, DOI 10.1001/jama.2023.24945) e não representam previsão de resultado individual.

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