Nutricionista Itaim Bibi – Dra Tatiane Ramos

Veja os melhores alimentos e bebidas para combater a prisão de ventre

Entenda como a fibra pode melhorar a regularidade intestinal

A reportagem da Folha de S.Paulo traz orientações sobre alimentos e bebidas que podem ajudar a combater a prisão de ventre, destacando a importância de consumir entre 21 e 38 gramas de fibras diárias, de acordo com especialistas. A definição utilizada – menos de três evacuações por semana, fezes endurecidas ou dificuldade para evacuar – está alinhada com os critérios clínicos mais comuns.

Por que a fibra é importante

Por que a fibra é importante A fibra alimentar, presente em diferentes grupos alimentares, desempenha papéis complementares no trânsito intestinal. As fibras insolúveis aumentam o volume das fezes, favorecendo o estímulo mecânico ao cólon e facilitando a passagem do conteúdo fecal. Já as fibras solúveis absorvem água, formando um gel que pode suavizar as fezes e melhorar a consistência. Essa combinação, apontada por Ethan Balk, professor clínico associado de nutrição da NYU Steinhardt, é frequentemente recomendada por nutricionistas para quem busca regularizar o hábito intestinal.

Do ponto de vista da prática clínica, a ênfase na variedade de fibras é acertada, pois a maioria das pessoas não atinge a ingestão recomendada. No entanto, é importante lembrar que a resposta ao aumento de fibras pode variar: algumas pessoas podem sentir desconforto abdominal ou gases ao introduzir grandes quantidades de forma abrupta. Por isso, a orientação de aumentar a ingestão gradualmente, acompanhada de hidratação adequada, costuma ser mais segura.

Como combinar fibras solúveis e insolúveis no dia a dia

Como combinar fibras solúveis e insolúveis no dia a dia Embora a reportagem não detalhe alimentos específicos, a literatura nutricional indica que diferentes fontes alimentares tendem a ser predominantes em um tipo ou outro de fibra. Uma estratégia prática consiste em distribuir ao longo das refeições alimentos que, em conjunto, ofereçam ambos os tipos. Por exemplo, incluir uma porção de leguminosas ou cereais integrais no almoço (fonte de fibra insolúvel) e, no lanche, frutas com polpa ou sementes (fonte de fibra solúvel).

Além disso, a forma de preparo pode influenciar a disponibilidade das fibras. Consumir vegetais crus ou levemente cozidos preserva mais fibras solúveis, enquanto alimentos integrais, como arroz ou pão integral, mantêm a estrutura das fibras insolúveis. Para quem tem dificuldade em alcançar a quantidade diária sugerida, o uso de suplementos de fibra pode ser considerado, mas sempre sob orientação de um profissional, pois a dose excessiva pode causar constipação paradoxal ou diarreia.

É fundamental lembrar que a ingestão de fibras deve ser acompanhada de ingestão de líquidos suficiente para que o gel formado pelas fibras solúveis tenha água para atuar. Essa recomendação não implica em um volume fixo universal de água, mas sim em adequar a hidratação às necessidades individuais, ao clima, ao nível de atividade física e a possíveis condições de saúde.

Quando a constipação exige avaliação médica

Quando a constipação exige avaliação médica A reportagem orienta procurar um médico caso a prisão de ventre cause preocupação, e essa recomendação está em consonância com as boas práticas. Sinais de alerta – como sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, dor abdominal intensa ou mudança súbita nos hábitos intestinais – devem ser avaliados por um gastroenterologista antes de iniciar intervenções nutricionais isoladas.

Em pacientes com doenças crônicas, como doença inflamatória intestinal, a estratégia de aumentar fibras deve ser feita com cautela e, preferencialmente, após o controle da inflamação. A dieta low FODMAP, por exemplo, pode ser considerada apenas em casos selecionados de síndrome do intestino irritável, nunca como abordagem padrão para todas as formas de constipação.

Orientação prática da Dra. Tatiane Ramos

Orientação prática da Dra. Tatiane Ramos A matéria da Folha acertou ao enfatizar a necessidade de combinar fibras solúveis e insolúveis e ao apontar a quantidade diária recomendada. Para quem deseja aplicar essas dicas, sugiro começar aumentando a ingestão de alimentos naturalmente ricos em fibras, distribuindo-os ao longo das refeições e monitorando a resposta do organismo. Caso ocorram desconfortos como gases excessivos, inchaço ou piora da consistência das fezes, ajuste a quantidade de forma gradual e aumente a ingestão de líquidos.

Se a constipação persistir por mais de duas semanas, ou se houver sinais de alarme, procure um profissional de saúde. Uma avaliação clínica pode identificar causas subjacentes que requerem tratamento específico, como alterações na motilidade, uso de medicamentos constipantes ou condições estruturais do cólon.

Em resumo, a fibra continua sendo uma aliada importante para a regularidade intestinal, mas seu uso deve ser individualizado, progressivo e sempre acompanhado de atenção aos sinais do corpo e, quando necessário, de orientação profissional.

Fonte original: Folha de S.Paulo

Sobre este conteúdo: este texto tem caráter informativo e jornalístico, com interpretação clínica da Dra. Tatiane Ramos, nutricionista clínica (CRN-3 73298). Cada organismo responde de forma diferente, e recomendações genéricas não substituem uma avaliação individual. Se você tem sintomas persistentes ou dúvidas sobre o seu caso, consulte um profissional qualificado.
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