Nutricionista Itaim Bibi – Dra Tatiane Ramos

Entenda a importância de uma boa nutrição para quem pasas por tratamento renal

Importância da alimentação equilibrada durante o tratamento renal

A reportagem do G1 aborda a relevância de uma nutrição adequada para quem está em tratamento renal. O tema é central, pois a alimentação pode influenciar tanto a progressão da doença quanto a qualidade de vida dos pacientes. Como nutricionista clínica e biomédica, acompanho diariamente quem convive com insuficiência renal e percebo que a informação correta sobre a dieta é fundamental, embora ainda haja lacunas e interpretações que precisam de contextualização.

Entenda a importância de uma boa nutrição para quem pasas por tratamento renal: contexto da matéria

Nutrição e a saúde renal: o que a ciência indica

A prática clínica sugere que a alimentação de quem tem comprometimento renal deve ser individualizada, considerando o estágio da doença, o tipo de terapia (diálise peritoneal, hemodiálise ou manejo conservador) e as necessidades específicas de cada pessoa. Em geral, a literatura aponta que a adequação de macronutrientes – especialmente a quantidade e a qualidade das proteínas – pode ajudar a reduzir a sobrecarga de resíduos nitrogenados e a preservar a massa muscular. Contudo, não se trata de um corte drástico de proteínas; a orientação costuma envolver a escolha de fontes de alta qualidade biológica, como ovos, laticínios e leguminosas bem preparados, sempre balanceadas com a ingestão de calorias suficiente para evitar o catabolismo.

Os minerais – sódio, potássio e fósforo – também recebem atenção especial. O excesso de sódio está associado ao aumento da pressão arterial e ao edema, enquanto o controle do potássio e do fósforo é importante para prevenir complicações cardíacas e ósseas. As recomendações costumam apontar para a moderação desses minerais, sem a imposição de restrições rígidas que possam levar à desnutrição. Por exemplo, a substituição de alimentos processados ricos em sódio por opções frescas, a escolha de frutas e vegetais com menor teor de potássio e a preferência por fontes de fósforo menos absorvíveis (como alguns vegetais) são estratégias frequentemente adotadas.

A hidratação merece atenção individualizada. Enquanto alguns pacientes precisam limitar a ingestão de líquidos para evitar sobrecarga de volume, outros podem necessitar de um consumo maior para compensar perdas urinárias. Assim, a orientação deve ser ajustada ao quadro clínico, ao tipo de diálise e ao balanço hídrico observado nos exames laboratoriais.

Desafios práticos no dia a dia

Implementar as recomendações nutricionais pode ser desafiador. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para adaptar hábitos alimentares arraigados, lidar com o paladar alterado por medicamentos ou a fadiga que reduz a motivação para cozinhar. Além disso, a disponibilidade e o custo de alimentos frescos e de boa qualidade podem ser limitantes, especialmente em regiões com menor acesso a mercados saudáveis.

Análise nutricional da Dra. Tatiane Ramos

Outro ponto relevante é a interpretação dos rótulos alimentares. A rotulagem nem sempre evidencia a quantidade real de sódio ou fósforo, e a presença de aditivos pode confundir a escolha dos alimentos. Por isso, a orientação de um profissional de nutrição é valiosa para ensinar a leitura crítica dos rótulos e a substituição de ingredientes por opções mais adequadas.

A diversidade alimentar também é crucial. Uma dieta rica em vegetais, frutas de baixo teor de potássio, cereais integrais e gorduras saudáveis (como azeite de oliva e abacate) pode oferecer fibras e fitoquímicos que suportam a saúde intestinal e, indiretamente, o equilíbrio metabólico. Embora a fibra seja benéfica, pacientes com insuficiência renal avançada podem precisar de ajustes específicos para evitar desconfortos gastrointestinais, o que reforça a necessidade de acompanhamento individual.

Quando a orientação profissional é essencial

A complexidade da dieta renal implica que a autoaplicação de conselhos genéricos pode ser insuficiente ou até prejudicial. Sinais de alerta como perda de peso não intencional, alterações no apetite, edema persistente, alterações de cor nas fezes ou urina, e variações significativas nos exames de sangue (creatinina, ureia, eletrólitos) devem ser avaliados imediatamente por um médico nefrologista. A intervenção nutricional, embora importante, deve ocorrer como parte de um plano multidisciplinar que inclui o médico, o enfermeiro e o farmacêutico.

Na prática, a consulta com um nutricionista especializado em nefrologia permite a elaboração de um plano alimentar que respeite as preferências culturais, as restrições econômicas e as necessidades clínicas. O profissional pode ajustar as porções, sugerir combinações alimentares que otimizem a absorção de nutrientes e monitorar a evolução do estado nutricional ao longo do tempo, prevenindo tanto a desnutrição quanto a sobrecarga de minerais.

Recomendações práticas

Em resumo, a boa nutrição para quem passa por tratamento renal é um pilar que complementa a terapia médica, contribuindo para a manutenção da função renal residual, a prevenção de complicações e a melhoria da qualidade de vida. Contudo, as recomendações devem ser individualizadas e baseadas em avaliação clínica detalhada. Caso você ou alguém próximo esteja em tratamento renal, procure um nutricionista especializado e mantenha o acompanhamento regular com a equipe de saúde para garantir que a alimentação esteja alinhada com as necessidades do seu organismo.

Fonte original: G1

Sobre este conteúdo: este texto tem caráter informativo e jornalístico, com interpretação clínica da Dra. Tatiane Ramos, nutricionista clínica (CRN-3 73298). Cada organismo responde de forma diferente, e recomendações genéricas não substituem uma avaliação individual. Se você tem sintomas persistentes ou dúvidas sobre o seu caso, consulte um profissional qualificado.

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