Nutricionista Itaim Bibi – Dra Tatiane Ramos

Nova terapia combinada para doença inflamatória intestinal mais difíceis de tratar

Combinação de anticorpos traz esperança para casos refratários de Crohn e colite ulcerativa

A reportagem do Terra traz à tona os resultados de dois ensaios clínicos apresentados na Digestive Disease Week 2026 (DDW 2026), que investigaram a nova terapia combinada JNJ‑78934804 para pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa que já haviam esgotado outras opções terapêuticas. A combinação reúne guselcumabe – um anticorpo anti‑IL‑23 – e golimumabe – um anticorpo anti‑TNF – em dose fixa, buscando bloquear simultaneamente duas vias inflamatórias importantes na fisiopatologia da doença inflamatória intestinal (DII).

Mecanismo da terapia combinada

A estratégia de bloquear duas vias distintas tem fundamento científico: o eixo IL‑23/Th17 e a via TNF‑α são reconhecidos como motores da inflamação intestinal. Quando utilizadas isoladamente, guselcumabe e golimumabe já demonstram eficácia em pacientes com DII, mas ainda há um número considerável de indivíduos que não alcançam remissão. A combinação proposta, JNJ‑78934804, foi testada em três doses diferentes e, segundo os estudos, a dose mais alta produziu resultados superiores ao golimumabe isolado e eficácia semelhante ao guselcumabe em termos de remissão clínica e melhora endoscópica após 48 semanas. Os eventos adversos graves foram raros, e os poucos relatos de efeitos colaterais de natureza gastrointestinal foram descritos como incomuns.

O que a evidência atual indica

O que a reportagem acerta ao destacar é que a população estudada corresponde exatamente ao grupo que mais necessita de novas alternativas: pacientes com doença moderada a gravemente ativa que já falharam em duas ou mais terapias, incluindo outros biológicos e agentes orais. Essa seleção reforça a relevância clínica dos achados, pois demonstra que a combinação pode ser eficaz mesmo em um cenário de resistência múltipla. Contudo, alguns pontos merecem cautela. Primeiro, os ensaios ainda se encontram em fase inicial, com número limitado de participantes e duração de 48 semanas. Embora a segurança tenha sido considerada aceitável, o perfil de segurança a longo prazo ainda não está totalmente definido, sobretudo em relação a possíveis infecções ou efeitos imunológicos cumulativos. Segundo, a comparação direta com terapias padrão foi feita apenas em relação a golimumabe e guselcumabe; outras classes de biológicos ou pequenas moléculas não foram incluídas, o que limita a generalização dos resultados. Por fim, a disponibilidade comercial do JNJ‑78934804 ainda depende de aprovação regulatória e de estudos em grupos maiores, portanto, a terapia ainda não está ao alcance da prática clínica rotineira.

Como integrar a nutrição ao manejo da DII

Mesmo com o avanço de novas opções farmacológicas, a nutrição continua desempenhando papel central no manejo da DII. Dietas individualizadas podem ajudar a controlar sintomas, melhorar o estado nutricional e reduzir a necessidade de intervenções invasivas. Em pacientes que recebem terapias biológicas, como a combinação em estudo, a atenção a déficits de micronutrientes (ferro, vitamina D, B12) e a manutenção de um padrão alimentar rico em fibras solúveis – quando tolerado – pode favorecer a saúde da mucosa intestinal. Estratégias como a dieta baixa em FODMAP podem ser consideradas em casos selecionados de síndrome do intestino irritável que coexistam com DII controlada, sempre sob supervisão de um profissional de saúde. É importante reforçar que ajustes alimentares não substituem o tratamento medicamentoso, mas podem potencializar seus benefícios e melhorar a qualidade de vida.

Em síntese, a combinação de guselcumabe e golimumabe representa uma abordagem promissora para pacientes com DII refratária, mas ainda requer confirmação em estudos mais amplos e acompanhamento cuidadoso quanto à segurança. Enquanto isso, a prática clínica deve continuar a integrar intervenções nutricionais personalizadas e o monitoramento regular de sinais de alarme, como sangramento intestinal, perda de peso não explicada ou piora súbita dos sintomas, que demandam avaliação médica imediata. Pacientes interessados nessa nova terapia devem conversar com seu gastroenterologista para avaliar a elegibilidade, riscos e benefícios dentro de um plano de tratamento multidisciplinar.

Fonte original: Terra

Sobre este conteúdo: este texto tem caráter informativo e jornalístico, com interpretação clínica da Dra. Tatiane Ramos, nutricionista clínica (CRN-3 73298). Cada organismo responde de forma diferente, e recomendações genéricas não substituem uma avaliação individual. Se você tem sintomas persistentes ou dúvidas sobre o seu caso, consulte um profissional qualificado.
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